quarta-feira, 21 de julho de 2010

Educação: a "arma" mais eficaz!

Quem acompanha jornais ou qualquer outro meio de comunicação tem se deparado, há algumas semanas, com tragédia atrás de tragédia. No blog, tendo como objetivo principal tratar de EDUCAÇÃO, não posso ficar alheia a tantos acontecimentos e começo esse post com luto pelo garoto que foi assassinado dentro da própria sala de aula. O mesmo garoto, em uma atividade, declarara a ambição de ser bombeiro para poder defender as pessoas. Notícias como namorado que assassina namorada e joga o carro no rio, ou jogador de futebol famoso acusado de comandar uma ação brutal e grotesca de extermínio, somadas a um histórico de violência que nos cerca no Brasil a ponto de estarmos prestes a uma guerra civil, nos fazem pensar quão banalizado está o fato de pessoas tirarem a vida uma das outras.


É muito triste quando nos damos conta que por mais que as campanhas voltadas a todo tipo de público quanto às drogas, violência sexual/física/psicológica, educação no trânsito, enfim, problemas que assolam a sociedade, estejam o tempo todo circulando em todos os veículos de comunicação, elas ainda sejam menores e tenham menos impacto do que a voz de um traficante, ou de um “magnata” que tem uma mente criminosa e grande facilidade de aliciar quem quer que seja, ou ainda de um namorado ou marido que se sente no direito de espancar e matar sua companheira. Será que um dia teremos uma sociedade mais civilizada e pacífica?

Quantas vezes ouvimos políticos encherem a boca declarando que o Brasil é um país sem guerras? E o que dizer da guerra civil instaurada no Rio de Janeiro, por exemplo? Isso se estende de forma geral por todo o Brasil, mas os acontecimentos nas favelas cariocas são os que mais rápido chegam aos noticiários. O que dizer de um garotinho (como milhares) que foi assassinado DENTRO DA SALA DE AULA? O que dizer de uma polícia que, em sua maioria, se alia aos criminosos por interesses financeiros e deixa a sociedade – público alvo do seu trabalho – a mercê do crime organizado, uma terra de ninguém? O que dizer dos políticos que são verdadeiros coronéis e não dedicam a mínima atenção para segurança pública, saúde e, finalmente, educação?


Não quero com tudo isso me unir a uma imprensa sensacionalista e oportunista para fazer alvoroço. Escrevi aqui um desabafo da minha indignação com tudo que tem acontecido e quero compartilhar uma reflexão que há tempos tenho feito.

Desde que, em 2005, comecei a trabalhar com adolescentes dos quais alguns tinham contato muito próximo com todo tipo de violência e negligência por parte da família e da sociedade, que meu maior interesse na educação se voltou para os direitos da criança e do adolescente. Por isso, apesar de me graduar em Letras, sempre procurei direcionar meu trabalho para a parte social da educação, ou seja, não me importar somente com as horas/aulas que estou com meus alunos, mas sim com a garantia de que essas horas tenham qualidade, assim como sua rotina em casa e na sociedade como um todo.


É partindo dessa reflexão somada a toda desgraça que tem assolado as páginas policiais dos jornais, que se torna cada vez mais forte a convicção de que a única esperança de que o Brasil seja um país melhor é a EDUCAÇÃO.


Quando falo isso a primeira coisa que escuto é: mas quem tem que trabalhar com bandido é a polícia, não o professor. Até aí tudo bem, concordo plenamente que quem tem preparação e obrigação para trabalhar com bandido é a polícia. Mas existe uma linha muito tênue entre um adolescente marginalizado e um bandido. A partir do momento em que um adolescente ou um jovem infrator é abandonado à própria sorte, o caminho mais fácil é a criminalidade. Como diria Gabriel Pensador, “A criminalidade toma conta da cidade”. No entanto, se esse adolescente é resgatado, tem acesso a educação e profissionalização assim como outras oportunidades e opções de vida, ele pode ter ao menos uma possibilidade de ter um destino diferente. Não digo aqui que ir até uma penitenciária e querer oferecer isso a todos os que estão presos vá fazê-los tornarem-se cidadãos de bem, com consciência social e boa índole. Essa situação nos remete a outro debate: o sistema carcerário, que não cabe ser abordado aqui porque, de tão vasto, merece uma postagem a parte. O que quero dizer é que se a Educação Pública for oferecida com qualidade, a evasão escolar for de uma vez por todas extirpada da sociedade, o acesso a universidades e cursos profissionalizantes for para todos – e não só para quem tem poder aquisitivo ou é beneficiário de cotas – e a garantia dos direitos da criança e do adolescente acontecer efetivamente, inclusive com adolescentes infratores que ainda podem ser arrancados da realidade deturpada em que vivem, existe a esperança de que a próxima geração, a geração dos meus filhos, tenha uma realidade social menos sanguinária. Os marginais que existem hoje não são Matusalém, em um determinado momento eles nos livrarão de suas indesejáveis presenças, e se a sociedade – valorizando a educação – “criar” cidadãos responsáveis que vivam com integridade, sejam críticos, saibam eleger seus governantes para que os coronéis (assim como os demais bandidos) não durem para sempre, existe a possibilidade de termos um país melhor.


Uma imagem vale mais que mil palavras. Abaixo uma garatuja de um menino que, mesmo sem ter ainda os traços definidos, retrata uma realidade dura e impiedosa.

A polícia tem sim que cuidar (e banir) dos bandidos, mas a EDUCAÇÃO É O ÚNICO MEIO DE IMPEDIR QUE ELES EXISTAM.







segunda-feira, 5 de julho de 2010

Um país em fúria!

Não tinha como deixar de escrever sobre a copa, não é?!



Pois bem, vamos lá. Mas não quero escrever sobre as seleções, técnicos, jogadores, convocações, etc., etc., etc. Quaro falar de tolerância, espírito esportivo, compreensão, coletividade. Alguém acha que uma coisa não tem relação com a outra? Pois mostrarei que estão intrinsecamente ligadas.



Os professores e acadêmicos – não só de Letras, mas de qualquer curso da área da Educação – que já estudaram, entre vários autores, Vygotsky, sabem que uma parte importantíssima da Educação de modo geral e principalmente da Infantil é o “educar brincando”, o tão famoso lúdico. Através dele a educação se torna mais divertida e proveitosa, o que possibilita o professor ser mais eficaz em seu trabalho. Além disso, através de jogos, gincanas, competições em geral, o professor pode – e deve – trabalhar noções de coletividade, de competição saudável e honesta, de espírito esportivo, além de uma das coisas mais importantes e que hoje é tão falha: a possibilidade de lidar bem com frustrações, derrotas, o tão famoso “você não conseguiu agora, mas pode tentar de novo”. Enfim, noções que teoricamente deveriam ser trabalhadas, no entanto, a sociedade é um reflexo de que isso não acontece.



Comecei o texto falando da copa porque essa semana o que vi em vários noticiários me deixou escandalizada. A seleção, como todos sabem, foi desclassificada nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul. Ficou entre as oito melhores seleções do mundo, e ao voltar pra casa encontra um país voltado contra si. Os jogadores, ao chegar em determinadas cidades, tiveram que fugir, literalmente, de uma população enfurecida. Alguns, mesmo já estando em seus carros, foram agredidos verbalmente o tempo todo. Como se não bastasse, hoje assistindo um jornal local vi a seguinte enquete: “Quem foi o responsável pela desclassificação da seleção brasileira? Para votar no Dunga ligue para determinado número, para votar nos jogadores ligue para determinado número.” Ou seja, como se não bastasse uma população indignada, uma imprensa sensacionalista determina que as pessoas precisam ter raiva de alguém: ou do técnico, ou dos jogadores. Em momento algum foi dito que a seleção que ganhou era melhor, se esforçou mais e por isso teve melhor resultado, que daqui quatro anos pode-se tentar novamente, que se deve aprender com os erros e corrigi-los para uma próxima vez, enfim, lições importantíssimas que se mostraram totalmente ausentes.



Com isso alguém vem me perguntar: mas desde quando a educação é responsável por uma sociedade sem espírito esportivo e que não sabe lidar com frustração? E eu respondo que desde SEMPRE. Nós, professores, temos que formar nossos alunos para toda e qualquer adversidade, e que eles enfrentem a mesma com dignidade e senso de justiça consigo e com os outros. Além disso, precisamos formá-los para que sejam críticos e saibam, como Sócrates, usar a tática das três peneiras, ou seja, “peneirar”, filtrar o que escutam nos jornais, programas em geral, nas revistas e até mesmo na própria escola, e construir uma opinião sobre tudo. Se isso começar finalmente a acontecer, no futuro teremos uma sociedade menos manipulável e mais dona de suas verdades, onde a coletividade, a solidariedade, o reconhecimento do esforço alheio, enfim, valores estarão acima de um instinto puramente irracional.


Deixo uma foto para reflexão. Eis um homem com todas as qualidades que citei anteriormente. Que teve compaixão do seu algoz e se fortaleceu em uma experiência dura e sofrida para mudar um país. Tomara que ao menos algumas lições tenham sido agregadas com a Copa do Mundo na África do Sul, que tráz uma história de superação começada por Nelson Mandela e continuada, diariamente, pelo seu povo.





terça-feira, 22 de junho de 2010

Ensinando respeito colhe-se gentileza!

Gentileza – Marisa Monte


“Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta”...


Fiquei pensando sobre o que escrever pra não interromper a sequência de posts, mas não queria escrever por escrever. Foi quando, na última quinta-feira (17/06) participei de um seminário de um curso da área da Educação e devido a alguns acontecimentos o tema veio à tona: RESPEITO.


Comecei com a música “Gentileza” de Marisa Monte porque vejo nela uma mensagem lindíssima. Uma visão do mundo que o professor precisa ter, visão essa abordada por Luciana E. Ostetto no livro “Arte, Infância e Formação de Professores – Autoria e Transgressão”, onde no capítulo 5 intitulado “Do cinzento ao multicolorido: linguagem oral, linguagem escrita e prática pedagógica na Educação Infantil” a autora faz uma releitura da música salientando uma educação modificadora. Mas fiz esse parêntese porque coincidentemente, alguns dias antes, levei essa música para a sala de aula devido a uma confraternização, esperando que quem a recebeu a leve consigo para sua prática docente.


Enfim, no tal dia 17, ao chegar à sala onde seria o seminário, me sentei bem na frente de modo a prestar total atenção nas apresentações. Quando a primeira começou percebi um “murmurinho”, aquele “tititi”, sabem? Imaginei que fosse devido ao horário, pois muitas pessoas ainda estavam chegando. Logo essa conclusão foi por água a baixo, pois durante todas as apresentações a conversa paralela continuou. Olhei pra trás diversas vezes esperando que as pessoas desconfiassem que estavam incomodando, e ao mesmo tempo por solidariedade a quem estava apresentando, mas nada acontecia. Em uma dessas olhadas, pra minha indescritível surpresa, estava a professora em meio a uma conversa animadíssima com algumas pessoas DURANTE UMA APRESETAÇÃO QUE ELA DEVERIA AVALIAR, e mesmo que não devesse, a professora sempre deve ser o exemplo, não?! Fiquei no seminário até o último grupo se apresentar e, ao final, das setenta pessoas que estavam na sala no início restaram aproximadamente quinze. Isso tudo me remeteu a pensar que aquelas setenta pessoas estão se preparando para serem professores, e não conseguem respeitar um acadêmico que está se esforçando para trazer as mais diversas informações e contribuições para a sua formação.


Fico pensando e me perguntando se aqueles acadêmicos – que em sua maioria já são professores – ao entrar em sua sala de aula para lecionar ficam olhando para os alunos e fazendo o famoso “sssssssssshhhhhhhhhhhhhhhhhiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuu” quando existe uma conversa ou coisa assim.


Saí da turma já pensando que o próximo post do blog seria sobre respeito. Até quando continuará acontecendo o tal “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”? As noções de respeito, de gentileza como diz a música, estão cada vez mais escassas na sociedade, e quando acontece algo bizarro como violência na escola, em casa, desrespeito no trânsito, em filas, com idosos/gestantes/deficientes em ônibus, enfim, em todas essas situações que nos chocam e nos fazem pensar por que tudo está do jeito que está, devemos parar e refletir se realmente estamos fazendo a nossa parte para que seja diferente.


Aquele velho brasão “violência gera violência” pode ser usado para virtudes também, porque respeito gera respeito, gentileza gera gentileza e educação, decididamente, gera educação.


domingo, 6 de junho de 2010

Cárcere ou educação?

Esses dias eu estava assistindo a uma reprise de um programa que gosto muito, e o tema em debate era a questão da diminuição da maioridade penal. Para o meu espanto, muitas, mas muitas pessoas mesmo se mostraram a favor. Agora, será que quem defende essa idéia pensa em todas as implicações que ela trás? Quem lê, se intera, enfim, procura tomar conhecimento dos assuntos carcerários do Brasil, tem noção do caos que é o sistema penitenciário no nosso país. Muito ouvimos uma expressão popular que diz que nesses ambientes “se entra ladrão de galinha e se sai matador qualificado”. Agora, como seria a realidade de jovens com 16 anos participando dessas barbáries?

Há tempos atrás em um debate na televisão sobre isso, ouvi um pai de um rapaz assassinado contando que o assassino tinha 17 anos, e faltavam três dias para completar 18, e que, por isso, não sofreu coisa alguma. Mas é preciso se pensar que todos, perante a lei, teoricamente deveriam pagar por seus atos. Para adolescentes (12 a 18 anos) a lei que se segue é o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, onde ele tem seus direitos e deveres garantidos. Para jovens que, como no caso supracitado, cometem um assassinato, há uma medida a ser aplicada, mesmo não sendo colocá-lo em meio a bandidos “graduados”.

Existem hoje distribuídos pelo Brasil os CIPs e os CRRs, que são Centro de Internamento Provisório e Centro de Referência Regional, respectivamente. Quando um adolescente é julgado por determinado ato, pode receber várias medidas socioeducativas, como por exemplo: trabalho comunitário, restituição do bem destruído (quando vandalismo), liberdade assistida, até a privação da liberdade. Para esperar um determinado veredicto, o adolescente vai para o CIP, onde tem instrutores que trabalham com medidas socioeducativas para inseri-lo na sociedade de forma que possa ter uma vida fora da marginalidade. Porém, como o nome mesmo diz, é provisório. Ao término do tempo de espera, os jovens são encaminhados as suas respectivas tarefas sociais, e os que recebem a sentença de privação de liberdade são levados para os CRRs, onde cumprem a pena estabelecida – no máximo 3 anos.

Como no Brasil o que envolve política, educação, e principalmente os dois juntos, nunca funciona, a prática não é tão bela e funcional como a teoria. Os CIPs nem sempre tem recursos humanos, ou seja, instrutores e equipe multidisciplinar, para que as medidas socioeducativas sejam bem trabalhadas e recebidas positivamente pelos jovens como deveriam. Sem contar que a mesma falta de vaga que existem nas penitenciárias de todo o Brasil existe, em escala menor, nos CRRs. Com isso, muitos dos adolescentes que deveriam estar cumprido a medida de privação de liberdade continuam convivendo com outros que nunca mataram, por exemplo, e praticamente os ensinando como fazer. Mas, vejam bem, se isso acontece em um local onde estão apenas adolescentes, o que seria deles em presídios onde estão, por exemplo, Fernandinho Beira Mar, Marcola, João Carlos Seco, Adriano da Silva, o maníaco do parque, pessoas que há anos e anos vem praticando atrocidades e não manifestam a mínima vontade de ser diferente.

O sistema carcerário no Brasil já é uma fraude, mas nem quero me ater a isso porque o assunto se estenderia a ponto de começar um outro texto, mas pra que colocar jovens que ainda tem uma chance em meio a quem joga essa chance pela janela? O artigo 227 da Constituição Federal de 1988 diz o seguinte: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Partindo dele foi elaborado o Estatuto da Criança e do Adolescente, passando a valer a partir do dia 13 de Julho de 1990, devido à necessidade de existirem medidas específicas para adolescentes infratores, pois estando em uma fase de desenvolvimento peculiar, precisam de uma atenção tão peculiar quanto.

Os jovens e adolescentes que cometem infrações tem o direito – nada de falar em merecimento - de ter uma nova chance e novas possibilidades, porque se ele hoje é um infrator, alguma parcela de culpa o tão famoso sistema tem, e é esse sistema, mais do que qualquer um, que tem que responder dando a estrutura e o apoio necessário para a reinserção do jovem infrator na sociedade.

Se sou contra adolescentes responderem pelo que fazem? Não, de forma alguma. Só não se pode legislar partindo de “achismos”, ou tendo piedade do sofrimento de vítimas, enfim; para se legislar é preciso analisar com responsabilidade as implicações dessa lei e qual o avanço ela trará para a sociedade. Hoje é possível ter uma noção de que enclausurar bandidos, deixá-los apodrecendo em celas imundas e superlotadas, e conjeturando com outros que pensam da mesma forma não leva ninguém a lugar nenhum. Pra que, nesse meio todo, colocar adolescentes? Pessoas que ainda estão em desenvolvimento e podem, em um ambiente desses, se tornar mais perigosos e nocivos para a sociedade do que os que já estão lá?

É preciso que haja uma reeducação, uma retomada de valores, o envolvimento desses jovens em ambientes saudáveis, educativos, e a convivência com pessoas íntegras e de princípios, que estão dispostas a ensiná-los como viver em sociedade. Quando isso acontecer, ou melhor, quando o que é garantido por lei passar a acontecer realmente, e não só uma camuflagem, as coisas com certeza mudarão. Menor de idade na cadeia não é o caminho, mas sim na escola, nos esportes, na sociedade a qual ele pertence.




segunda-feira, 31 de maio de 2010

"naobataeduque.org.br"

Dia 18 de Maio trouxe consigo duas datas muito importantes: Dia nacional da luta contra o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, e Dia internacional do enfrentamento a violência sexual. Assim como dia 01 de Junho é o Dia Mundial da Criança.

Por isso, quero fazer algumas abordagens, mas antes, descreverei alguns dados chocantes pra que se tenha real noção da gravidade da situação da criança e adolescente hoje.


  • Só no ano de 2010 o dique 100* vem atendendo, em média, 73 denúncias por dia.
  • No ano de 2009, essa média foi de 82 denúncias por dia.
  • Nos últimos sete anos o disque denúncia nacional atendeu 2,5 milhões de telefonemas e encaminhou cerca de 120 mil denúncias em todo o país. Foram mais de 214 mil vítimas.
  • Negligência e violência física/psicológica tem um percentual parecido de meninos e meninas, porém, quando se trata de violência sexual, 82% das vítimas são meninas.
  • De acordo com a Delegacia de Proteção da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro, 40% de TODAS as ocorrências registradas por mês correspondem à negligência/maus tratos de crianças e adolescentes.
  • De acordo com a UNICEF, de hora em hora morre uma criança queimada, torturada ou espancada pelos pais no mundo.
  • Também extraído da UNICEF, há o dado de que 80% das agressões físicas feitas a crianças e adolescentes são cometidas por membros da família ou pessoas próximas.

*Disque 100 é um órgão federal, uma política pública a serviço da criança e do adolescente. As denúncias ficam no anonimato e ele atende das 8h às 22h, todos os dias.


Com todos esses dados que assustam e chocam, fico me perguntando: O que estamos fazendo, efetivamente, pelas crianças e adolescentes? Uma grande conquista foi o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (extraído do artigo 227 da Constituição Federal de 1988), que entrou em vigor dia 13 de Julho de 1990. Nele constam todos os direitos da criança e do adolescente, assim como o dever da família, escola e sociedade para com eles.


No entanto, no Brasil hoje não existe uma legislação específica que proíba castigos físicos, por exemplo. Na verdade, no continente americano essa legislação existe apenas no Uruguai, na Venezuela e na Costa Rica, e no resto do mundo somam-se a esses apenas 22 países. Isso é um total absurdo, porque o “tapinha” de hoje pode ser o espancamento de amanhã. Como está claro nos dados supracitados, o lugar onde a criança e o adolescente deveriam estar mais seguros é onde eles sofrem mais riscos – a família. O índice de agressões sofridas por pessoas da família ou próximas é altíssimo, inadmissível.


Isso, é claro, sem contar a violência psicológica, que é difícil de ser constatada mas causa sequelas tão sérias – ou até piores – quanto a física. Interfere totalmente na formação da personalidade e caráter do indivíduo.


Hoje existe, na mídia, um caso claríssimo de violência física e psicológica: o da procuradora aposentada Vera Lúcia Santana Gomes. Esse caso está sendo repetido seguidamente devido a toda repercussão que tomou, mas quantos casos assim acontecem o tempo todo sem se tornarem públicos?


Falando de violência sexual então, o assunto poderia se estender o bastante pra ter um texto separado, mas resumindo, a violência sexual é bem maior do que muita gente imagina. É difícil considerar a situação por ser extremamente grotesca, mas ela existe MUITO. E além da violência cometida em casa, por pai, padrasto, tio, irmão, primos, amigos da família, enfim, esse filme de horrores, existe também a prostituição infantil que é violência tal qual a doméstica. Aqueles que aliciam crianças de até oito anos para se prostituírem são exploradores da mesma forma, e convenhamos que esse é um problema que dá voltas e voltas e parece que nunca tem fim.


Sabendo de tudo isso, é preciso entender que qualquer pessoa pode (e deve) denunciar todo indício de abuso/maus tratos/negligência. A criança e o adolescente tem garantido por lei o direito de receber visitas de órgãos competentes partindo do princípio de uma mera desconfiança. O cidadão comum como eu, você, e qualquer outro, pode denunciar através do Dique 100. É a forma mais efetiva, pois os profissionais encaminham as denúncias aos seus devidos destinos.


Existe também a denúncia compulsória, que é uma denúncia OBRIGATÓRIA feita por profissionais da educação, da saúde, assistência social e assim por diante. Essa denúncia é formal e feita através do preenchimento de fichas que são encaminhadas ao Conselho Tutelar, delegacias, etc.


Seguem alguns órgãos/links importantes sobre o assunto:

  • Disque 100
  • www.naobataeduque.org.br
  • www.unicef.org/brazil/pt/
  • www.direitosdacrianca.org.br/
  • www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituiçao.htm
  • www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm

Nunca devemos esquecer que zelar pela criança e pelo adolescente é dever de todos!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O professor politizador

Durante um ano eleitoral as discussões acerca de política tornam-se mais frequentes em praticamente todos os âmbitos, e essa semana não foi diferente. Em um chat com alguns amigos surgiu o tema “assistencialismo”. Debatemos muito acerca disso, expressamos opiniões, argumentamos – cada um defendendo seu ponto de vista – e depois de vários posts chegamos a um consenso a respeito. Uma minoria da população no geral tem esse tipo de conversa.


Essa conversa – ou debate – me remeteu ao seguinte questionamento: os professores tem formado alunos politizados?


Quando pensei nisso, vários flashs do meu Ensino Fundamental e Médio vieram à tona e lembro, com bastante clareza, de ter aparecido o assunto “política” através de comentários soltos de alguns professores. Mas não é a isso que me refiro. Essa informalidade no assunto não é politizar. Lembro claramente de professores defendendo alguns partidos – normalmente os opostos ao governo então vigente, de ver alguns apoiando e até mesmo incitando greves, assim como outros totalmente contra, lembro também de professores que valorizavam o voto e, no Ensino Médio, mencionavam constantemente o assunto, assim como havia outros que diziam que o voto era utopia e nunca mudaria nada. Enfim, o assunto sempre permeou minha educação, mas nunca, absolutamente em situação nenhuma foi discutido de forma concreta, objetiva e direta. O que me questiono com tudo isso é se, no contexto atual, continuo reproduzindo a prática pedagógica que presenciei, ou se politizo meus alunos.

Ao conversar com adolescentes, poucos tem noção da importância do voto, da consequência de não votar, de como temos que conhecer os candidatos em que votamos, do que esse candidato representa, enfim, da prática da democracia. E não me refiro apenas às eleições presidenciais. Eleger o diretor da escola, presidente da APP, comissão da Associação de Moradores, é tão importante quanto um presidente.


Ao pensar em tudo isso me pergunto: qual é o melhor lugar para promover essa discussão do que a escola? Com tudo, existe um porém: os professores estão devidamente preparados para promover essa discussão? Esse questionamento é pensando que, em um ambiente escolar, o professor como ser mediador precisa ser imparcial, não exercendo sua posição de docente para influenciar as decisões ou convicções do aluno. Se este se obtivesse das suas opiniões pessoais e mediasse um debate de prós e contras, aconteceria um ato de politização e cidadania que, convenhamos, é incomum nas nossas escolas.


Não falo tudo isso como crítica apenas, e sim como uma observação para que nossos adolescentes e jovens tenham mais instrução e esclarecimento do seu papel político na sociedade.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A ideia do blog surgiu, a princípio, durante a loucura da elaboração do meu trabalho de graduação, cujo tema trata da formação de professores de Língua Portuguesa. O objetivo principal era postar frequentemente textos informativos, artigos, referências em geral, compartilhar experiências, enfim, interagir.
Mas, devido ao alcance desse meio de comunicação, espero poder colaborar com o pouco que sei, e aprender com o muito que professores de todos os cantos tem a oferecer, assim como alunos e, por que não, curiosos?

Tomara que mais do que soma, seja um espaço alternativo de busca por informações e por conversas e trocas!

E vamos que vamos, sejamos professores "asas", como diria Rubem Alves!!