O Blog é a minha penseira. Para quem desconhece tal objeto, explico que "é uma bacia de pedra onde (...) a pessoa é capturada e cai no pensamento que está em exposição na hora..."
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Crise de criatividade?
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
A estante dos livros!
Como de costume, fiz uma mega arrumação nos livros, revistas, materiais antigos da faculdade, enfim, uma revolução. A cada material que eu pegava era impossível apenas reorganizá-lo; eu tinha que abrir, ler, comentar, lembrar...uma delícia.
E cada vez que fazia isso pensava “nossa, isso seria legal levar pra sala (de aula) pra trabalhar dessa forma, ou daquela, ou de uma outra...olha essa literatura, que delícia...meu Deus, nem lembrava que tinha esse livro, meus alunos vão adorar...” e por aí vai.
Quando me dei conta já tinha anoitecido, e de toda a minha lista de afazeres, não saí do primeiro e mesmo assim fiquei muito realizada.
Por isso cada vez que paro e penso o porquê ainda sou professora diante de todas as dificuldades, a explicação não tem como ser dita; apenas sentida, entendida...encontrada na arrumação dos livros.
Infelizmente (ou felizmente, vai saber) o tempo só me permite fazer isso no começo do ano...mas quem sabe o acaso se encarrega de deixar que isso aconteça exatamente porque é tempo de reflexão, criação, motivação...
O que interessa é que a cada vez que penso em preparar uma aula, propor uma atividade, explicar algo, questionar, argumentar, fomentar, me sinto revigorada e cheia de disposição pra esse 2012 que me espera...que nos espera.
Para começar bem o ano deixo um poema de Carlos Drummond de Andrade, fantástico na sua simplicidade como toda a sua obra:
“Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.”
(Mãos Dadas)
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Eu desejo que...
...Que nos dediquemos incansavelmente aos nossos objetivos;
...Que busquemos renovação e rompamos com antigos paradigmas;
...Que sejamos compreensivos SEMPRE, mas que isso não nos torne omissos;
...Que tenhamos fé nas pessoas e sejamos justos e imparciais em nossos julgamentos;
...Que exerçamos nossa cidadania;
...Que tenhamos coragem de participar ativamente da nossa sociedade;
...Que consigamos valorizar nossa família;
...Que tenhamos a percepção do valor das pequenas coisas;
...Que sejamos melhores do que fomos ontem e que isso seja uma busca diária;
...Que possamos valorizar a curiosidade de uma criança e a sabedoria de um idoso;
...Que nossos valores evoluam;
...E que consigamos fazer de 2012 o melhor ano de nossas vidas até agora.
São meus votos para todos nós!
Grande abraço e até ano que vem... :D
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Londres 2012 - Isso sim é que é legado!
domingo, 18 de dezembro de 2011
A arte de reprovar!
Esse final de ano passei por uma experiência nova: os conselhos de classe. Até então, como eu não trabalhava no ensino regular, isso não tinha sido necessário. Aprendi muito, muito mesmo, inclusive a desconstruir paradigmas que eu mesmo estipulei.
Quando eu ouvia alguém dizer “fulano passou por conselho”, eu ficava pensando o tamanho do absurdo que isso representava: ora essas, não tirou nata, reprova! Que pensamento retrógrado e cainho, santo Deus.
Agora vejo com mais clareza o peso que essa decisão, que é minha e de outros professores, tem na vida do aluno.
Pois bem, voltando ao início, esse ano tive conselhos de classe. Eu praticamente me descabelei de tanta preocupação.
Imaginem que o Joãozinho (sempre ele, coitado) está no 6º ano e não conseguiu nota suficiente por diversos motivos (falta de atenção, bagunça, dificuldade). Fez exame final em várias disciplinas, mas mesmo assim não atingiu a média e ficou dependendo da aprovação do conselho de classe. O Joãozinho, como vem de outras reprovações, já tem 14 anos – enquanto as crianças dessa turma tem, em média, onze.
No mesmo contexto do Joãozinho, temos também o Zezinho, mas ao invés de 6º ano ele está na 6ª série, vendo a turma que começou o Ensino Fundamental com ele na 5ª série se formar, e ele nada. O Zezinho, além disso, precisava tirar 8,0 na exame final em Língua Portuguesa (com a pessoa que aqui vos fala) e tirou 6,5 – maior nota da sala.
E em terceiro lugar vem o Luizinho, que já tem 16 para 17 anos – idade de completar o Ensino Médio – e ainda está na 8ª série.
Eu me pergunto: DO QUE ADIANTA REPROVÁ-LOS NOVAMENTE? Qual será o tipo de trabalho diferenciado feito com eles para que aprendam de uma forma que, nitidamente, não aprenderam até hoje? O que eles, a escola, os professores e os colegas de turma ganharão com essa reprovação? Qual é a probabilidade de alunos que reprovaram 2 ou 3 vezes serem aprovados tendo as mesmas aulas sempre? Que condições nós, professores, temos de preparar uma aula diferenciada para esse aluno que precisa de um olhar especial? Tudo isso me perguntei antes do conselho de classe, para ter uma fala pronta quando me fosse perguntado: “o que você acha?”
Mas, parafraseando o Capitão Nascimento, “quem disse que a vida é fácil parceiro?”. Ao chegar no conselho sem discurso pronto mas sabendo o que queria defender, percebi uma coisa que me deixou triste – e nem é sobre o Joãozinho, o Zezinho ou o Luizinho. Quando a coordenadora lançava para o conselho decidir a aprovação ou reprovação de alguns alunos, surgiam os comentários: esse não merece, só bagunçou o ano todo, quase me enlouqueceu, etc etc etc...Eu realmente acredito que isso seja verdade, na verdade eu SEI, porque também tive alunos assim no decorrer do ano, mas a aprovação se dá pelo cognitivo ou pelo comportamental? Por que a partir do momento que for pelo comportamental poderemos reprovar metade da escola.
Como eu disse anteriormente, as minhas perguntas não tem respostas – pelo menos, por enquanto, não para mim. Mas elas precisam ser feitas.
É preciso que analisemos sempre e cada vez mais as atitudes que tomamos, principalmente em situações tão decisivas. Uma reprovação muda por completo a vida escolar do aluno. Isso quer dizer que eu acho que todos tem que passar de ano? Não, mas acredito que precise reprovar quem teve dificuldade de aprendizagem, quem ainda não é 3 ou 4 anos mais velho que a turma toda, quem receberá, no ano seguinte, um aula diferenciada para que consiga aprender como não conseguiu até então, enfim, a reprovação precisa ser uma segunda chance, e não um sistema de punição.
Os conselhos de classe acabaram, mas eu sabia que o meu próximo post precisava ser sobre eles porque ainda estão aqui, vagando no meu inconsciente.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Descobertas!!
O frio na barriga foi inacreditável...que MEDO!
Muita novidade, muita informação, muita responsabilidade, burocracia, trabalho...meu Deus quanto trabalho.
Mas me realizei imensamente e 2011 é um ano que, para mim, se encerra lindamente.
Nesse meio tempo conheci pessoas inacreditavelmente maravilhosas. Professores aos quais, a todo momento, remeto meus pensamentos e questiono minha prática baseada nas muitas observações que fiz dos mesmos.
Que delícia conviver com pessoas assim!
Descobri também que a sala de professores é uma torre de Babel, sim, exatamente isso. Tem pessoas falando em todos os idiomas possíveis: a língua da liberação, do tradicionalismo, da crítica, do elogio, do individualismo, do trabalho em grupo...enfim, vários idiomas pedagógicos.
Compreendi melhor o sistema de aprovação e reprovação, e que devemos nos cuidar para que isso se dê com base em uma análise cognitiva, e não comportamental. Observei, na prática, a questão das múltiplas habilidades, e passei a valorizar ainda mais a interdisciplinaridade.
Ganhei rosas, meu Deus, ganhei rosas. Assim como uma mensagem lindíssima de uma turma maravilhosa, que me emocionou grandemente juntando moedas de cá e de lá para me presentear com as flores mais lindas do mundo.
Espero realmente que eu consiga manter a regularidade dos posts, e que o blog volte a ser uma ferramenta de expressão e comunicação. Assuntos, tenho muitos! Coisas a dizer então, nem se fala. Meu único problema é meu dia não ter 35 horas... haha
segunda-feira, 30 de maio de 2011
2° Tempo...de vida!!
Fiquei com muita vontade de escrever sobre o bullying (mais?), a tragédia em Realengo, as greves dos professores de diversos estados, a polêmica do novo livro didático aprovado pelo MEC, enfim, assuntos não faltaram. Mas o que eu mais queria era escrever sobre a minha vivência em sala de aula. Então “de repente, não mais que de repente”, surge finalmente a oportunidade de voltar. E voltei. Voltei com a pilha toda e tenho trabalhado tanto que o blog ficou em segundo plano, mas não mais.
Não consigo nem pontuar do que senti mais falta enquanto fiquei fora de sala. Não sei dizer se foi da vivência por si só, ou de perceber o envolvimento dos alunos com as minhas propostas, ou ainda receber seu carinho e ser referência pra cada um em determinado momento. Nossa, acho que foi um conjunto de tudo isso.
O desafio tem sido muito grande, pois estou trabalhando com uma turminha que, pra mim, é toda novidade. Há um tempo comentei com alguns amigos que essa nova experiência tem sido maravilhosa, mas muito cansativa, e que as crianças de seis anos tem me dado uma surra (metáfora, ok!) todos os dias. Nesse exato momento uma amiga que também dá aula para primeiro ano falou: “nossa, uma frase nunca definiu tão bem minha vida.” Mas sabem como fizemos essas observações? Com um grande sorriso no rosto.
Essa tem sido minha constante no último mês: um grande sorriso no rosto. As outras constantes são: muito, mas muito trabalho de casa, bolsas e mais bolsas pesadas com livros e todo tipo de materiais pra lá e pra cá, avaliações bimestrais e feiras culturais se finalizando, enfim, é trabalho que não acaba mais, mas não dizem que o trabalho enobrece a alma? Pois é. Há tempos não me sentia tão realizada profissionalmente, tão feliz por fazer realmente o que amo: EDUCAR. E é por isso que, finalmente, estou pronta para voltar a escrever.
Como não podia deixar de ser, quero finalizar com uma música do cd do Toquinho sobre os direitos da criança. A música se chama “Herdeiros do Futuro” e define muito bem os principais conceitos da educação que eu acredito ser a ideal!!
Herdeiros do Futuro
Composição : Toquinho / Elifas Andreatto
"A vida é uma grande
Amiga da gente
Nos dá tudo de graça
Prá viver
Sol e céu, luz e ar
Rios e fontes, terra e mar...
Somos os herdeiros do futuro
E pr'esse futuro ser feliz
Vamos ter que cuidar
Bem desse país
Vamos ter que cuidar
Bem desse país...
Será que no futuro
Haverá flores?
Será que os peixes
Vão estar no mar?
Será que os arco-íris
Terão cores?
E os passarinhos
Vão poder voar?...
Será que a terra
Vai seguir nos dando
O fruto, a folha
O caule e a raiz?
Será que a vida
Acaba encontrando
Um jeito bom
Da gente ser feliz?...
Vamos ter que cuidar
Bem desse país
Vamos ter que cuidar
Bem desse país...
Será que no futuro
Haverá flores?
Será que os peixes
Vão estar no mar?
Será que os arco-íris
Terão cores?
E os passarinhos
Vão poder voar?...
Será que a terra
Vai seguir nos dando
O fruto, a folha
O caule e a raiz?
Será que a vida
Acaba encontrando
Um jeito bom
Da gente ser feliz?...
Vamos ter que cuidar
Bem desse país
Vamos ter que cuidar
Bem desse país..."


